será que alguma vez sabemos mesmo começar sem des-sentir os caminhos que têm criado humanidade?

será que vamos sabendo o que é começar de novo? ou de velho? continuo no brotar das coisas. das coisas que antes serem regras, leis, ou outros modus operandi socialmente instituidos eram desejos…ou não.

começar sem neglicenciar a caminhada que cada umaum foi fazendo é obra complexa!

na semana passada eram as cabeças a desaparecer na rua da conceição para visitar as galerias romanas que cada ano são visitadas. carros, elétricos, trânsito à espera da descida da dona coisa ou do sr. sei lá o quê, de pessoas que vêem turistar desde longe ou de outras que agarram este dia para desaparecer por entre água e pó para estar mais próximo dos mistérios que são o sub-chão da cidade.

as esplanadas nascem como cogumelos nas ruas do centro da cidade e já não posso passar com a moto mas os segways podem exercitar o que quiserem nessas mesmas ruas e despenhar-se nas paredes ou chocar contra alguém que não tem ou não teve a velocidade de espiralar e fugir.

queria demorar na barbearia da rua dos correeiros, mas já fechou, e assim vão-se eclipsando as improbabilidades de coexistência entre a fúria turística e o dia a dia de quem vive cidadando. nada de novo, é só estar atenta.

as casas de quem mora na rua, enquanto desço a avenida da liberdade, estão cuidadas, as mantas arrumadas junto aos caixotes lado a lado com as lojas de roupa cara.

hoje a mulher que trabalha na drogaria oriental da rua dos fanqueiros estava lentamente contemplando o ar, como uma pintura antiga, diz que se impressiona com o caminho de um homem que conhece bem há muitos anos e que desaguou de “pessoa digna” para o gajo que vive enfiado nos caixotes do lixo à procura do que possa trazer para si. mais uma vez, nada de novo…

começar de novo tem possibilitado um olhar-sentir sempre fresco pairando sobre aquilo que acho que já vou conhecendo há anos.

estamos agora no cem em mergulho de Pátio. uma forma de exercitar NÃO SABER mesmo quando possas ter a sensação de já ter tirado as medidas ao que te vai rodeando. a criação contínua de corpomundo.

este domingo são as eleições aqui em portugal. eu que acredito que cada umaum deveria chamar a si a implicação em existir, deveria comprometer-se com a co-criação de mundo….sendo que que o mundo sempre também te cria a ti…vejo-me desassossegada nesta acção de integrar um modo de vida que acredita em partidos e em estilhaçamentos da regulação, que acredita num poder externo, e os veios visíveis que têm vindo a amputar possibilidades de existência.

confio em começar.

sofia

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: